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LM Report 2002 
<ÁFRICA | ÁSIA - PACÍFICO>

AMÉRICAS

POLíTICA DE PROIBIçãO DE MINAS

Trinta e um países dos 35 da Região das Américas são Estados Partes no Tratado de Proibição de Minas. Durante este período de investigação, desde Maio de 2001, 3 países ratificaram o Tratado: São Vicente e as Grenadinas (1 de Agosto de 2001), Chile (10 de Setembro de 2001) e o Suriname (23 de Maio de 2002). Ainda persistem 2 Signatários na região: Guiana e Haiti. Uma moção parlamentar para a ratificação do Tratado foi entregue à Assembleia Nacional da Guiana. De acordo com um oficial haitiano, em Junho de 2002, a ratificação estava “em via rápida”.

Cuba e os Estados Unidos continuam a ser os 2 únicos países na região que estão totalmente fora do Tratado de Proibição de Minas.

O Brasil, a Colômbia e a Costa Rica promulgaram legislação nacional de aplicação durante este período de investigação. Juntam-se assim ao Canadá, Guatemala, Nicarágua e Trinidad e Tobago, que já o tinham feito.

Durante este período de investigação, vários países entregaram relatórios de transparência, alguns iniciais e outros anuais, ao abrigo do Artigo 7: Bahamas, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador e Panamá. Apenas Barbados, Domínica, Santa Lúcia, Trinidad e Tobago e a Venezuela ainda não entregaram um relatório inicial do Artigo 7.

A Terceira Reunião dos Estados Partes teve lugar em Manágua, Nicarágua em Setembro de 2001. Assistiram 22 países da região incluindo um não-Signatário, Cuba. Enquanto Presidente da Terceira Reunião dos Estados Partes, a Nicarágua também foi Presidente do Comité de Coordenação do Tratado de Proibição de Minas desde Setembro de 2001. Dezasseis países assistiram aos encontros dos Comités Permanentes de Janeiro e Maio de 2002 em Genebra, incluindo Cuba. Desde Setembro de 2001, o Canadá e as Honduras co-presidiram o Comité Permanente sobre a Assistência às Vítimas e a Reintegração Sócio-Económica, a Colômbia foi co-relator do mesmo Comité. O Peru foi co-relator do Comité Permanente sobre o Estatuto Geral e Operativo da Convenção. O Canadá continuou a coordenar a Grupo de Contacto de Universalização e a presidir o Fundo de Patrocínio Intersessional.

Vinte e sete países da região votaram a favor da Resolução 56/24 M da Assembleia Geral da ONU de Novembro de 2001 e 6 países estiveram ausentes durante o voto. Cuba e os Estados Unidos foram os dois únicos países na região entre os 19 países que se abstiveram mundialmente. Em Junho de 2002, os Estados membros da OEA adoptaram 3 Resoluções sobre minas em prol de: acção contra as minas no Equador e Peru; do programa AICMA da OEA na América Central; e de um Hemisfério Ocidental livre de minas.

Em Novembro de 2001, o Peru organizou a XIª Cimeira Ibero-americana, à qual assistiram os 21 Estados membros. O 43º ponto da Declaração de Lima, realçou problema das minas na região e reafirmou os compromissos de eliminar o problema e melhorar a situação dos sobreviventes de minas. Em Dezembro de 2001, os representantes da região assistiram à conferência sobre a “Acção contra as Minas na América Latina” em Miami.

Em Junho de 2002, os Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa da Comunidade Andina (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela) encontraram-se em Lima e emitiram o “Compromisso de Lima”. No Compromisso de Lima, seis pontos estão relacionados com o Tratado de Proibição de Minas, incluindo a destruição completa dos arsenais, a criação de programas para as vítimas e a reintegração sócioeconómica, bem como um apelo aos grupos rebeldes para que cumpram com a norma internacional contra as minas antipessoal.

UTILIZAçãO

A Colômbia é o único país da região onde há provas de que as minas estão a ser actualmente utilizadas. Os grupos rebeldes FARC-EP e o UC-ELN, bem como os paramilitares da AUC, continuam a utilizar minas antipessoal, aparentemente de forma crescente em 2001 e durante a primeira metade de 2002.

PRODUçãO E TRANSFERêNCIA

Cuba e os Estados Unidos estão entre os 14 produtores restantes de minas antipessoal em todo o mundo. Não se sabe se as unidades de produção em Cuba estavam activas em 2001 e 2002. Cuba declarou que não exporta minas, mas ainda não adoptou uma moratória formal à exportação. Os Estados Unidos não produziram minas antipessoal desde 1997 mas reservam-se o direito de o fazer. Os E.U. têm em vigor uma proibição legislativa da exportação desde 1992.

Os grupos de guerrilha Colombianos continuam a produzir minas antipessoal artesanais e outros engenhos explosivos improvisados.

ARSENAL E DESTRUIçãO

Doze países na região têm arsenais de minas antipessoal. Isto inclui os 2 não Signatários (Cuba e os E.U.), um Signatário (Guiana) e 9 Estados Partes (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Nicarágua, Suriname, Uruguai e Venezuela). A destruição dos arsenais está em curso excepto no Suriname e a Venezuela.

O Equador e o Peru completaram a destruição dos arsenais em Setembro de 2001, juntando-se ao Canadá, à Guatemala e às Honduras. As Bahamas, Costa Rica e a República Dominicana confirmaram oficialmente que não possuem arsenais de minas antipessoal.

A Argentina, em Julho de 2002, referiu um arsenal de 96.513 minas antipessoal, ou seja 7.343 mais do que previamente referidas. Não destruiu nenhum arsenal armazenado em 2001 e inícios de 2002, mas desenvolveu um plano de destruição. O Brasil referiu ter destruído 13.649 minas antipessoal em 2001, ficando um estoque de 30.748 minas em 31 de Dezembro de 2001.

O Chile ainda não revelou a quantidade de minas armazenadas, mas referiu ter destruído 14.000 minas em Setembro de 2001. Em Maio de 2002, O Chile anunciou que 50% das suas minas armazenadas seriam destruídas até Agosto de 2002 e que a metade restante seria destruída antes do fim de 2003. O Chile também afirmou que tinha destruído 16.000 minas antipessoal.

No seu relatório inicial do Artigo 7º de Março de 2002, a Colômbia referiu um arsenal de 20.312 minas antipessoal; não foram destruídas nenhumas minas durante o período de investigação, mas a Colômbia está a preparar um plano de destruição. El Salvador referiu a destruição de 1.291 minas antipessoal armazenadas em 2000, mas nenhuma em 2001, ficando 5.344 no arsenal. O Landmine Monitor avalia que a Guiana tem um arsenal de aproximadamente 20.000 minas antipessoal.

A Nicarágua destruiu 50.000 minas antipessoal armazenadas em 2001 e mais 25.000 em Abril e Junho de 2002; planeia destruir as 18.313 minas restantes em Setembro de 2002. O Suriname reconheceu ter um arsenal pequeno de minas antipessoal, que se crê totalizar 296 minas em Julho de 2002, mas o Ministério da Defesa ainda está a conduzir um inventário de minas antipessoal. O Uruguai destruiu 432 minas antipessoal entre Maio de 2000 e Junho de 2002, ficando 1.728 minas no arsenal. Um oficial do Governo venezuelano afirmou ao Monitor de Minas que o Exército e a Marinha armazenam cerca de 40.000 minas antipessoal.

Os Estados Unidos têm o terceiro maior arsenal de minas antipessoal do mundo. Os E.U. armazenam aproximadamente 11,2 milhões de minas antipessoal, incluindo cerca de 10 milhões de minas de autodestruição e 1,2 milhão de minas normais.

O Brasil reteve 17.000 minas antipessoal para efeitos de treino e desenvolvimento, o maior número entre os Estados Partes. O Brasil afirmou que estas minas “serão destruídas em actividades de treino num período de 10 anos após a entrada em vigor da Convenção para o Brasil, ou seja até Outubro de 2009.” No entanto, o Brasil apenas consumiu 450 destas minas em 2000 e só 5 em 2001.

A Argentina tinha originalmente declarado que iria reter 13.025 minas para efeitos de treino. Em Abril de 2002, a Argentina afirmou ao Monitor de Minas que tenciona esvaziar o conteúdo explosivo 12.025 destas minas para torná-las inertes e portanto não deveriam mais contar como minas retidas. Argentina também revelou que o Exército irá guardar 1.160 minas antipessoal FMK-1 para serem utilizadas como detonadores de minas antitanque, aparentemente para efeitos de treino.

O Equador reviu a quantidade de minas que irá reter para efeitos de treino de 16.000 para 4.000. Em Maio de 2002, o Peru referiu que irá reter 4.024 minas em vez de 5.578. El Salvador declarou anteriormente que não iria guardar qualquer mina, mas agora indica que irá reter 96.

Durante o período de investigação, o Canadá facilitou a destruição dos arsenais em vários países em todo o mundo incluindo o Equador e o Peru.

PROBLEMáTICA DAS MINAS

Dez países da região são conhecidos como estando afectados: Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Perú; bem como as disputadas ilhas das Malvinas/Falkland. Um documentário televisivo parece confirmar que as minas também estão presentes do lado argentino da fronteira com o Chile.

Pelo menos 256 dos 1.097 municípios da Colômbia e 28 dos 31 departamentos do país são considerados como estando afectados pelas minas, ou seja um aumento em relação aos 168 municípios referidos em 2000. A Nicarágua avaliou que, até Março de 2002, houve 61.875 minas deixadas no terreno e 184 quilómetros junto à fronteira ainda devem ser desminados. De acordo com o relatório do Artigo 7º da Costa Rica, as minas que estariam ainda enterradas seriam 1.800.

FINANCIAMENTO DAS ACçõES CONTRA AS MINAS

Os Estados Unidos continuaram a ser o maior doador internacionalmente da acção contra as minas internacionalmente em 2001, apesar de que os seus fundos reduziram-se de $13,2 milhões, para um total de $69,2 milhões. As contribuições do Canadá aumentaram de C$6,3 milhões para um total de C$24 milhões (US$15,5 milhões).

O programa regional da OEA para a desminagem na América Central recebeu $4,7 milhões em fundos para 2001, um decréscimo em relação aos $4,9 de 2000. O programa da Costa Rica sofreu particularmente da crise de financiamento. As contribuições do programa da OEA para a desminagem no Equador e no Peru totalizaram $1,59 milhão em 2001, um aumento em relação aos $772.347 de 2000. No seu ano fiscal de 2001, os E.U. forneceram $1,76 milhão para a acção contra as minas no Equador e $1,66 milhão para o Peru.

DESMINAGEM

O Monitor de Minas registou algum tipo de desminagem no Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Peru durante o período de investigação. Foi referida também desminagem com propósitos tácticos na Colômbia.

Até Junho de 2002, a Nicarágua desminou mais de 2,5 milhões de metros quadrados destruindo 78.374 minas. Em Junho de 2002, o Exército Peruano completou a desminagem de 18 quilómetros do Canal de Zarumilla na fronteira com o Equador, descobrindo 906 minas e 1.259 engenhos explosivos. O Equador referiu que 4.439 minas foram destruídas entre Março de 2001 e Abril de 2002.

O programa de desminagem na Costa Rica sofreu sérias crises de financiamento desde Dezembro de 2001, que resultaram na interrupção e suspensão das operações. O objectivo de desminar totalmente até Julho de 2002 não será cumprido. Nas Honduras, as operações de desminagem tinham originalmente previsto terminar em 2001 mas agora prevê-se que estarão completas apenas em finais de 2002. As Honduras referem que, até Abril de 2002, tinha atingido 98,6 % dos seus objectivos de desminagem. A Nicarágua espera completar a desminagem em 2005 e não em 2004 como anteriormente avaliado. Na Guatemala, o termo do Plano Nacional de Desminagem está previsto para 2005.

A Colômbia está a desenvolver um Plano Nacional para a Desminagem e espera que a desminagem dure 20 anos; os oficiais declaram que os campos minados à volta de lugares estratégicos não serão destruídos enquanto a guerra continuar.

Em Outubro de 2001, a Argentina e o Reino Unido concordaram através de um Memorando de Entendimento na criação de um estudo de praticabilidade da desminagem nas Falklands/Malvinas e um grupo de trabalho conjunto foi estabelecido.

Para ajudar as actividades de desminagem. O IMSMA, o sistema informativo da acção contra as minas, foi instalado no Equador, na Nicarágua e no Peru em 2001 e na Colômbia e na Guatemala em 2002. Na primeira metade de 2002, o GICHD criou o seu primeiro centro de apoio em Manágua, na Nicarágua, para apoiar os utilizados do IMSMA em toda a América Latina.

Os Estados Unidos patrocinaram a criação da Força de Desminagem de Reacção Rápida, com base em Moçambique.

EDUCAçãO DE PREVENçãO DE ACIDENTES

Foram efectuados programas de educação de prevenção na Colômbia, Equador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Peru e em a nível reduzido no Chile, Costa Rica e El Salvador. Os Exércitos Nacionais e as agências governamentais efectuaram educação de prevenção no Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Nicarágua e Peru, assim como organizações locais mencionaram terem realizado prevenção na Colômbia, Guatemala e Nicarágua.

VíTIMAS DE MINAS

Entre Janeiro de 2001 e final de Junho de 2002, foram referidas vitimas de minas no Chile, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador (engenhos explosivos apenas), Guatemala (engenhos explosivos apenas), Nicarágua e Peru. Durante este período de investigação, as vítimas de minas também incluem nacionais de países livres de minas, e em alguns casos de outros países afectados pelas minas, mortos ou feridos enquanto estavam envolvidos em operações de desminagem, de manutenção da paz e outras actividades. As vítimas desta natureza foram referidas para o Canadá, Honduras, Peru e os Estados Unidos. Em 2001 e na primeira metade de 2002, incidentes durante as operações de desminagem ou em treinos causaram vítimas entre os sapadores na Colômbia e na Nicarágua.

A Colômbia tem de longe o maior número de novas vítimas de minas e engenhos explosivos. Nos primeiros 10 meses de 2001, o Governo colombiano referiu um total de 243 acidentes envolvendo minas antipessoal e engenhos explosivos, nos quais morreram 43 pessoas e ficaram feridas 158, ou seja um aumento de 83 vítimas referidas para todo o ano de 2000. De acordo com os relatórios dos média, 129 vítimas na Colômbia foram mencionadas na primeira metade de 2001. Na Nicarágua, houve 16 vítimas em 2001. No Chile, 3 civis ficaram feridos e um oficial militar morreu no acidente com uma mina. No Peru, em 2001 e até Junho de 2002, 6 civis foram feridos e um morto em 5 acidentes.

ASSISTêNCIA AO SOBREVIVENTE

A assistência governamental para as vítimas de minas e de engenhos explosivos é geralmente de fraca qualidade. Os recursos para as vítimas civis são frequentemente inadequados ou inexistentes, embora para a maior parte, estejam disponíveis recursos limitados para os militares e o pessoal da polícia. Um favorecimento na atribuição dos recursos das zonas urbanas amplifica o problema.

Em El Salvador, o Secretariado Nacional da Família, dirigido pela Primeira Dama de El Salvador, está a aplicar uma lei de igualdade de oportunidades para as pessoas portadoras de deficiências. Nas Honduras, um novo centro ortopédico começou a produção em San Pedro Sula. Na Nicarágua, estão a ser feitos esforços para assegurar-se de que a assistência aos sobreviventes se torne numa parte integrante do sistema nacional de saúde e de outras instituições do Estado como o Ministério da Família, o Instituto da Juventude e o Instituto Nacional de Tecnologia.

O projecto de assistência às vítimas tripartido (Canadá/PAHO/México) na América Central continua na Nicarágua, Honduras e El Salvador.

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