O rastreio do apoio financeiro da acção contra as minas é ainda difícil, apesar da grande transparência e melhores mecanismos de investigação. Existe uma grande variação sobre aquilo que os doadores referem, e com que detalhes e para que períodos. No entanto, a partir da investigação do Monitor de Minas é possível dar uma visão informativa da situação financeira global.
O Monitor de Minas identificou cerca de 1,4 biliões de dólares americanos ($) gastos em acções contra as minas na última década. Para 2001, o Monitor de Minas identificou $237 milhões atribuídos à acção contra as minas por 24 doadores.[98] Isto representa um decréscimo de cerca de $4 milhões em relação ao ano anterior. Dado às incertezas e irregularidades na recolha de dados sobre o financiamento das acções contra as minas, esta redução não é estatisticamente significativa. De facto, é pelo menos parcialmente imputável às taxas de câmbio flutuantes do dólar americano. No entanto, é visível e é razão de grande inquietude, que é a primeira vez desde 1992 que o total do financiamento global das acções contra as minas não aumentou de forma significativa.
Ao contrário dos relatórios anuais precedentes, o Monitor de Minas inclui agora os financiamentos das acções contra as minas da União Europeia (UE) para 2001 e os anos anteriores, porque acredita que existe doravante informações adequadas para evitar o problema da duplicação (devido aos Estados membros da UE que referem as doações da UE como parte das suas despesas internas de acção contra as minas).
Tal como anteriormente, o Monitor de Minas não incluiu os fundos para a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de desminagem e equipamentos nesses totais, e em vez disso listou a categoria pesquisa e desenvolvimento à parte, sempre que era conhecida. Embora a maior parte dos doadores dedicou alguns recursos para a acção de pesquisa e desenvolvimento contra as minas, apenas um pequeno número de doadores referiu fundos precisamente para pesquisa e desenvolvimento para 2001 (nomeadamente a Bélgica, o Canadá, a UE, os Países Baixos, o RU e os EU) totalizando mais de $21 milhões. Entre 1992-2000, a despesa total em acções de pesquisa e desenvolvimento contra as minas foi de pelo menos $178 milhões, incluindo $38 milhões em 2000.
Os financiamentos dos programas de assistência foram incluídos quando possível, mas para alguns dos principais doadores de fundos para a assistência às vítimas não podem ser separados de outros programas não especificamente para minas. Também em alguns casos, os doadores não referem o valor da contribuição em géneros. Portanto os dados aqui existentes atenuam aquilo que os fundos globais da acção contra as minas são na realidade.
O Financiamento das acções contra as minas baixou significativamente para os 3 principais doadores: os Estados Unidos (redução de $13,2 milhões), o Reino Unido (redução de 6,1 milhões) e Japão (redução de $4,9 milhões). Os aumentos mais significativos foram registados pela Comissão Europeia (mais $11 milhões); o Canadá (mais $3,6 milhões), Itália (mais $3 milhões). Os totais das contribuições da EU em 2000 e 2001, são similares mas em 2000, $14,7 milhões foram para a pesquisa e desenvolvimento, enquanto que em 2001, apenas $235.000 foram para a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias de desminagem.
Dos 20 principais doadores, o financiamento aumentou (calculado em moedas nacionais, e não dólares norte-americanos) para 9 e quase todos por um valor significativo. O financiamento diminuiu para 11, apesar de quase todos por um valor pequeno, excepto os 3 acima referidos.
Financiamento das Acções contra as Minas em 2001:$237 milhões Financiamento das Acções contra as Minas registadas até hoje: $1,419 bilião EUA $69,2 milhõesUE $25,3 milhõesNoruega $19,7 milhõesCanadá $15,5 milhõesRU $15,4 milhõesDinamarca $14,4 milhõesPaíses Baixos $13,9 milhõesAlemanha $12,3 milhõesSuécia $8,5 milhõesSuíça $8,4 milhõesJapão $7 milhõesAustrália $6,4 milhõesItália $5 milhõesFinlândia $4,5 milhõesFrança $2,7 milhõesIrlanda $2 milhõesBélgica $1,9 milhãoNova Zelândia $0,95 milhãoÁustria $0,89 milhãoEspanha $0,7 milhãoOutros $2,3 milhões EUA $375,5 milhõesUE $203,3 milhõesNoruega $127,2 milhõesRU $94,1 milhõesSuécia $80 milhõesJapão $70,8 milhõesCanadá $67,4 milhõesPaíses Baixos $67,2 milhõesAlemanha $62,7 milhõesDinamarca $62,3 milhõesAustrália $43 milhõesSuíça $39,6 milhõesItália $36 milhõesFinlândia $27,9 milhõesFrança $16,8 milhõesBélgica $11,8 milhõesÁustria $7,9 milhõesIrlanda $7,8 milhõesNova Zelândia $6,6 milhõesEspanha $4,2 milhõesOutros $7,2 milhões
Financiamento de Acções contra as minas referidos por ano
2001 $237 milhões
2000 $241 milhões
1999 $220 milhões
1998 $180 milhões (mais $9 milhões segundo avaliação)
1997 $105 milhões (mais $35 milhões segundo avaliação)
1996 $99 milhões (mais $34 milhões segundo avaliação)
1992-95 $218 milhões (mais $41 milhões segundo avaliação)
Principais Doadores das Acções contra as Minas
Excepto menção contrária: os valores estão em dólares norte-americanos;[99] os valores incluem os fundos para a assistência às vítimas; os fundos não incluem os fundos para a acção de pesquisa de desenvolvimento contra as minas, que estão identificados separadamente; e os valores não incluem as contribuições para a União Europeia.
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA -- $375,5 milhões
2001 $69,2 milhões
2000 $82,4 milhões
1999 $63,1 milhões
1998 $44,9 milhões
1997 $30,8 milhões
1996 $29,8 milhões
1995 $29,2 milhões
1994 $15,9 milhões
1993 $10,2 milhões
UNIÃO EUROPEIA – $203,3 milhões [100]
2001 $25,3 milhões (€28,1 milhões)
2000 $14,3 milhões (€15,9 milhões)
1999 $15,5 milhões (€17,3 milhões)
1998 $21,4 milhões (€23,8 milhões)
1992-1997 $126,8 milhões (€141,2 milhões)
NORUEGA -- $127,2 milhões
2001 $19,7 milhões (NOK 176,9 milhões)
2000 $19,2 milhões (NOK 178,6 milhões)
1999 $21,7 milhões (NOK 185 milhões)
1998 $20,8 milhões
1997 $16,7 milhões (NOK 125 milhões)
1996 $13,5 milhões (NOK 101 milhões)
1995 $11,6 milhões (NOK 87 milhões)
1994 $4,0 milhões (NOK 30 milhões)
REINO UNIDO -- $94,1 milhões
2001-2002 $15,4 milhões (£10,7 milhões)
2000-2001 $21,5 milhões (£15 milhões)
1999-2000 $19,5 milhões (£13,6 milhões)
1998-1999 $6,5 milhões (£4,57 milhões)
1997-1998 $6,6 milhões (£4,6 milhões)
1996 $6,3 milhões
1995 $6,9 milhões
1994 $6,3 milhões
1993 $5,1 milhões
SUÉCIA -- $80 milhões
2001 $8,5 milhões (SEK 91,6 milhões)
2000 $7,9 milhões (SEK 76,7 milhões)
1999 $11,5 milhões (SEK 94,5 milhões)
1998 $16,6 milhões (SEK 129,5 milhões)
1997 $11,9 milhões
1996 $10,4 milhões
1995 $5,1 milhões
1994 $2,6 milhões
1990-93 $5,5 milhões
JAPÃO -- $70,8 milhões
2001 $7 milhões (JPY 741 milhões)
2000 $11,9 milhões (JPY 1.246 milhões)
1999 $13,2 milhões (JPY 1.600 milhões)
1998 $8,7 milhões (JPY 1.000 milhões)
CANADÁ -- $67,4 milhões
2001 $15,5 milhões (C$24 milhões)
2000 $11,9 milhões (C$17,7 milhões)
1999 $15,2 milhões (C$23,5 milhões)
1998 $9,5 milhões
1997 $3,0 milhões (C$4,6 milhões)
1996 $4,0 milhões (C$6 milhões)
1995 $1,5 milhão (C$2,2 milhões)
1994 $2,9 milhões (C$4,4 milhões)
1993 $2,2 milhões (C$3,4 milhões)
1989 $1,7 milhão (C$2,5 milhões)
PAÍSES BAIXOS -- $67,2 milhões
2001 $13,9 milhões (Dfl 32 milhões, €15,5 milhões)
2000 $14,2 milhões (Dfl 35,4 milhões)
1999 $8,9 milhões (Dfl 23 milhões)
1998 $9,3 milhões
1997 $10,2 milhões
1996 $10,7 milhões
ALEMANHA -- $62,7 milhões
2001 $12,3 milhões (DM 26,8 milhões, €13,7 milhões)
2000 $14,5 milhões (DM 27,5 milhões)
1999 $11,4 milhões (DM 21,7 milhões)
1998 $10,1 milhões
1997 $4,9 milhões
1996 $7,9 milhões
1995 $0,8 milhão
1994 $0,5 milhão
1993 $0,3 milhão
DINAMARCA -- $62,3 milhões
2001 $14,4 milhões (DKK 119,4 milhões)
2000 $13,4 milhões (DKK 106,7 milhões)
1999 $7 milhões (DKK 54,9 milhões)
1998 $6,2 milhões (DKK 44,3 milhões)
1997 $5,4 milhões (DKK 38,6 milhões)
1996 $8 milhões (DKK 57 milhões)
1995 $2,3 milhões
1994 $2,0 milhões
1993 $1,7 milhão
1992 $1,9 milhão
AUSTRÁLIA -- $43 milhões
2001-2002 $6,4 milhões (A$12 milhões)
2000-2001 $6,7 milhões (A$12,6 milhões)
1999-2000 $8 milhões (A$12,4 milhões)
1998-1999 $7 milhões (A$11,1 milhões)
1997-1998 $5,9 milhões (A$9,9 milhões)
1996-1997 $4,5 milhões (A$7,5 milhões)
1995-1996 $4,5 milhões (A$7,5 milhões)
SUÍÇA -- $39,6 milhões
2001 $8,4 milhões
2000 $8,5 milhões
1999 $5,8 milhões
1998 Desconhecido
1997 $4,0 milhões
1996 $2,6 milhões
1995 $4,1 milhões
1994 $3,5 milhões
1993 $2,7 milhões
ITÁLIA -- $36 milhões
2001 $5 milhões (L 11,2 biliões, €5,6 milhões)
2000 $2 milhões (L 4,3 biliões)
1999 $6,5 milhões (L 13,9 biliões)
1998 $12 milhões (L 20 biliões)
FINLÂNDIA -- $27,9 milhões
2001 $4,5 milhões (FIM 30 milhões, €5 milhões)
2000 $4 milhões (FIM 26,9 milhões)
1999 $5 milhões (FIM 28,7 milhões)
1998 $6,6 milhões
1997 $4,5 milhões
1996 $1,3 milhão
1995 $0,7 milhão
1991-94 $1,3 milhão
FRANÇA -- $16.8 milhões
2001 $2,7 milhões (€3 milhões)
2000 $1,2 milhão
1999 $0,9 milhão
1995-98 $12 milhões
BÉLGICA --$11,8 milhões
2001 $1,9 milhão (€2,2 milhões)
2000 $2,5 milhões (BEF 111 milhões)
1999 $2,3 milhões (BEF 93 milhões)
1994-1998 $5,1 milhões
ÁUSTRIA -- $7,9 milhões
2001 $0,89 milhão (ATS 13,7 milhões)
2000 $1,9 milhão (ATS 30 milhões)
1999 $0,95 milhão (ATS 15 milhões)
1994-98 $4,2 milhões
IRLANDA -- $7,8 milhões
2001 $2 milhões (Ir£ 1,8 milhão, €2,2 milhões)
2000 $1,4 milhão (Ir£ 1,3 milhão)
1999 $1,8 milhão (Ir£ 1,6 milhão)
1994-1998 $2,6 milhões
NOVA ZELÂNDIA -- $6,6 milhões
2001 $0,95 milhão (NZ$2,3 milhões)
2000 $0,7 milhão (NZ$1,8 milhão)
1999 $0,9 milhão (NZ$1,8 milhão)
1992-98 $4 milhões (NZ$6,9 milhões)
ESPANHA -- $4,2 milhões
2001 $0,7 milhão (€741.357)
2000 $0,9 milhão (Ptas185 milhões)
1999 $0,7 milhão (Ptas 178 milhões)
1998 $0,8 milhão (Ptas 152 milhões)
1997 $0,9 milhão (Ptas 175 milhões)
1996 $0,1 milhão
1995 $0,1 milhão
Alguns outros países que contribuem para as acções contra as minas são:
A Assistência às Vítimas e os Estados
O Tratado de Proibição de Minas estipula, no seu artigo 6º alínea 3, que “cada Estado Parte que esteja em condições de o fazer fornecerá assistência para cuidados e reabilitação das vítimas das minas e sua integração social e económica, bem como para os programas de sensibilização sobre minas.” Em muitos países afectados a assistência para satisfazer as necessidades dos sobreviventes e a assistência adicional estrangeira é necessária para fornecer cuidados e reabilitação aos sobreviventes de minas.
São difíceis de obter dados precisos, completos e comparáveis para o financiamento da assistência às vítimas pois alguns governos não especificam os montantes para a assistência às vítimas e consideram a assistência às vítimas como parte integrante da acção humanitária contra as minas. Alguns países como por exemplo a Suécia e o Reino Unido, não especificaram os montantes para a assistência considerando que as vítimas são tratadas a través de programas de desenvolvimento bilateral e outras contribuições. Adicionalmente, muitos, se não a maioria dos programas de assistência às vitimas, são realizados pelas ONG que receberam fundos de várias fontes incluindo governos, doadores privados e fundações de caridade. Portanto, a informação apresentada aqui não deve ser considerada como totalmente representativa do financiamento global dos programas de assistência às vítimas.
A partir da informação fornecida pelos relatórios do Monitor de Minas por país, os doadores da assistência às vítimas incluem:
Doadores dos Programas de Assistência às Vítimas de Minas
Austrália $473.078
Áustria $382.238
Bélgica $450.112
Canadá $4.812.009
Dinamarca $306.223
Finlândia $643.721
França $95.829
Alemanha $964.959
Irlanda $454.674
Itália $1.145.537
Japão $668.000
Luxemburgo $356.788
Países Baixos $1.472.091
Nova Zelândia $109.200
Noruega $4.538.385
Portugal $56.080
Eslovénia $165.807
África do sul $20.000
Estados Unidos da América $10.969.340
$28.084.071
Deve-se notar que enquanto que baseando-se na sua contribuição os Estados Unidos parecem ser o principal doador, quase todo vem do Fundo Leahy para as Vítimas de Guerra ($10 milhões em 2001) que apoia os programas para todas as vítimas de guerra; a percentagem dos fundos que apoiam os sobreviventes de minas não está disponível.
Em 2001, o Apelo Especial do CICV para a Acção contra as Minas aumentou de 19,1 milhões de francos suíços ($11,4 milhões) em 35 países afectados para a assistência às vítimas incluindo tratamento de emergência, tratamento médico, e reabilitação física.[101] Em 2001, 11 países contribuíram com 8,6 milhões de francos suíços para o apelo especial.[102] Em 2001, outros doadores incluíram as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha do Canadá, a Dinamarca, França, Alemanha, China (Hong Kong), Japão, Nova Zelândia, Noruega e Espanha, bem como as organizações como a Rotary International, a UEFA, a Soroptimist International e o Cantão de Zürich.
O Fundo Especial para os Deficientes do CICV gastou 2,8 milhões de francos suíços (US$1,7 milhão) em programas de reabilitação física de pessoas com deficiências, incluindo sobreviventes de minas em 2001. A Noruega, os EU e os Países Baixos contribuíram com 2,6 milhões de francos suíços (US$1,5 milhão); a Sociedade da Cruz Vermelha Norueguesa e outras organizações também contribuíram.[103]
Em 2001, o Fundo de Crédito Internacional Esloveno para a Desminagem e a Assistência às Vítimas (ITF) dedicou $1.325 para programas de assistência às vítimas. Isto constitui 5% das despesas globais do ITF em 2001, bem abaixo do objectivo do ITF de 15%. Sete países contribuíram os programas de assistência às vítimas através do ITF: Áustria, Canadá, Croácia, Dinamarca, Luxemburgo, Eslovénia e o Estados Unidos. Entre outros os doadores privados estão a Vietnam Veterans of America Foundation.
Apesar do apoio para as vítimas de minas estar incluído na Política da União Europeia para a Acção contra as Minas, nenhum fundo foi fornecido para tais programas no orçamento de acção contra as minas de 2001. No entanto, os fundos foram fornecidos através de outras linhas orçamentais, incluindo aquelas do Gabinete Humanitário da Comissão Europeia (ECHO) para apoiar programas que assistam pessoas com deficiências em países afectados pelas minas; o valor total destas contribuições não está disponível.
Os principais beneficiários da Acção contra as Minas
Os montantes comparáveis, completos e precisos para os principais beneficiários da acção contra as minas são frequentemente mais elusivos que aqueles para os doadores das acções contra as minas. Está disponível apenas a informação parcial sobre o financiamento 2001 da base de dados sobre investimentos do UNMAS, pois os principais doadores não introduziram dados no registo.
De acordo com a informação disponível ao Monitor de Minas, os principais beneficiários dos financiamentos de acções contra as minas, cumulativamente desde o início da década de 90, são: Afeganistão ($193 milhões), Moçambique ($160 milhões), Camboja ($146 milhões), Bósnia Herzegovina ($103 milhões), Kosovo (RF Jugoslávia) (85 milhões), Norte do Iraque ($80 milhões), Angola ($71 milhões) e Laos ($42 milhões).
O Líbano, a Eritréia e o Vietname estão a emergir como importantes beneficiários destes fundos.
Em 2001, os principais beneficiários são o Norte do Iraque ($30 milhões), Camboja ($21 milhões), Bósnia Herzegovina ($16,6 milhões), Moçambique ($15,1 milhões), Angola ($15 milhões), Afeganistão ($14,1 milhões), Líbano ($12,6 milhões), Kosovo ($8,4 milhões), Eritréia ($8,4 milhões) e Laos ($7,5 milhões).
Alguns programas e projectos de acção contra as minas experimentaram problemas sérios, até mesmo crises, de financiamentos, incluindo no Afeganistão, Angola, Bósnia Herzegovina, Costa Rica e Laos.
Um deficit orçamental para os programas de acção contra as minas no Afeganistão antes do 11 de Setembro de 2001 ameaçava encerrar as operações contra as minas, tal como tinha acontecido em 2000. As operações de acção contra as minas foram suspensas após 11 de Setembro de 2001. As infra-estruturas de acção contra as minas sofreram muito durante o conflito militar subsequente, pois algumas facções em guerra pilharam os gabinetes, capturaram veículos e equipamento e assaltaram o pessoal local. Quatro sapadores e dois cães detectores de minas foram mortos em ataques aéreos errantes dos Estados Unidos.
Os financiamentos do Programa de Acção contra as Minas (MAPA) da ONU totalizaram $193,5 milhões em 1991 até Agosto de 2001. O total de $14,1 milhões para 2001 representa o mais pequeno montante desde 1992. O fundo das acções contra as minas foi $22,8 milhões em 2000. Foram identificados 9 doadores em 2001, comparando com os 12 de 2000. O financiamento do MAPA inclui desminagem e sensibilização, mas não a assistência às vítimas.
Os acontecimentos recentes resultaram numa maior atenção dos doadores em relação ao Afeganistão. Desde Outubro de 2001, cerca de $64 milhões foram prometidos para a acção contra as minas no Afeganistão.
O financiamento das acções contra as minas em Moçambique foi avaliado a cerca de $160 milhões entre 1993 e 2001. Treze doadores referiram ao Monitor de Minas um total de cerca de $15,1 milhões em contribuições para Moçambique em 2001. Pode também ter havido várias contribuições não registadas pelo Monitor de Minas. Em 2000, o Monitor de Minas identificou aproximadamente $17 milhões em fundos de acções contra as minas para Moçambique.
O financiamento total da acção contra as minas no Camboja foi estimado a mais de $146 milhões entre 1994 e 2001. Em 2001, 17 doadores referiram contribuições para a acção contra as minas no Camboja totalizaram mais do que $21 milhões. Em 2001 e 2002, vários doadores recomeçaram a financiar o Centro Cambojano contra as Minas, demonstrando uma confiança renovada após crises passadas. Em 2000, o financiamento de acções contra as minas totalizou cerca de $25 milhões.
O financiamento das acções contra as minas na Bosnia e Herzegovina totalizou aproximadamente $103 milhões entre 1995 e 2001. O financiamento para 2001 somou $16,6 milhões em 2000 e $23 milhões em 1999. Como em 2000, houve uma crise de financiamento em 2001, particularmente para o Centro de Acção contra as Minas, pelo menos em parte devida à constante falta de confiança do doadores.
De acordo com um estudo independente do Grupo Praxis, efectuado em nome do UNMAS, o financiamento das acções contra as minas totalizou cerca de $85 milhões entre meados de 1999 – quando as operações começaram – e finais de 2001, quando a ONU declarou a finalização da desminagem. O Monitor de Minas registou cerca de $8,4 milhões em acções contra as minas em 2001.
Foi especialmente difícil ter informações adequadas sobre o financiamento das acções contra as minas em Angola. Foi avaliado que o financiamento das acções contra as minas para Angola totalizou cerca de $71 milhões entre 1993 e 2001. Os orçamentos anuais para 2001 para as principais ONG de acção contra as minas chegam a um total de mais de $13,5 milhões. Adicionalmente, a UNICEF gastou cerca de $1,5 milhão nos seus programas de prevenção de acidentes com minas e o CICV gastou um valor desconhecido em programas de prevenção de acidentes e programas de assistência às vítimas. De acordo com a informação fornecida ao Monitor de Minas pelos doadores e as organizações contra as minas, o financiamento em 2000 totalizou aproximadamente $13 milhões.
Foi avaliado que o financiamento das acções contra as minas no Norte do Iraque totalizou cerca de $80 milhões entre 1993 e 2001. O Programa de Acção contra as Minas do Iraque, sob a jurisdição das Nações Unidas, financiado inteiramente através do Programa Petróleo contra Comida, começou em 1997. O programa gastou cerca de $28 milhões em 2001, e aproximadamente $20 milhões em 2000. Duas das principais ONG, a Mines Advisory Group e a Ajuda Popular da Noruega, receberam fundos para além do programa da ONU, totalizando cerca de $2,4 milhões em 2001.
O financiamento das acções contra as minas no Laos totalizou $42 milhões segundo avaliação entre 1994 e 2001. De acordo com a UXO LAO, o financiamento das acções contra as minas no Laos em 2001 acumulou cerca de $7,5 milhões segundo avaliação. Os relatórios dos países do Monitor de Minas identificaram $8,6 milhões em fundos para 2000.
América Central -- Costa Rica, Guatemala, Honduras e Nicarágua
O financiamento para o Programa de Assistência às Desminagem na América Central da Organização dos Estados Americanos (OEA), que envolve desminagem e remoção de engenhos explosivos na Costa Rica, Guatemala, Honduras e Nicarágua totalizou $27,3 milhões entre 1992 e 2001. Em 2001, o programa regional da OEA recebeu $4,7 milhões em financiamento, ou seja um decréscimo em relação a $4,9 em 2000.
Líbano
Desde a retirada israelita do Sul do Líbano em Maio de 2002, o financiamento das acções contra as minas aumentou imenso. Cerca de $6 milhões foram fornecidos em 2000 e o Monitor de Minas avaliou que aproximadamente $12,6 milhões foram atribuídos a programas de acção contra as minas no Líbano em 2001, por pelo menos 13 doadores, incluindo os Estados Unidos ($4,6 milhões). Os Emirados Árabes Unidos (EAU), anunciaram em Março de 2001 a intenção de doar até $50 milhões para ajudar a desenvolver o Sul do Líbano, incluindo actividades de acção contra as minas. Um memorando de entendimento foi assinado entre os EAU e o Líbano em Outubro de 2001; não se sabe se foram gastos fundos durante o ano de 2001.
Vietname
De acordo com os relatórios dos doadores, mais do que $25 milhões foram fornecidos ou prometidos para as acções contra as minas no Vietname nos últimos anos. Isto inclui os $11,2 milhões doados em Março de 2002 pelo Governo Japonês para equipamentos de desminagem para o Ministério da Defesa para serem utilizados em projectos de desenvolvimento de infra-estruturas, tais como a auto-estrada Ho Chi Minh. Em 2001, cerca de $5,7 milhões foram fornecidos, incluindo $3,5 milhões dos Estados Unidos.
Croácia
A Desminagem na Croácia custou cerca de $103 milhões entre 1997 e 2001. A Croácia pagou a maior parte da desminagem a partir de recursos financeiros internos, mas também recebeu algum apoio internacional. A CROMAC referiu que em 2001 gastou $26,4 milhões, e que desse total, $20,6 milhões vinham de financiamentos do Estado Croata e $5,8 milhões de outros doadores. A base de dados sobre Investimentos de acções contra as minas da ONU listou $7,2 milhões em financiamento oriundos de 9 doadores para a Croácia em 2001. Em 2000, as despesas de acção contra as minas totalizaram $22,5 milhões.
| <ASSISTÊNCIA ÀS VÍTIMAS E SOBREVIVENTES DE MINAS TERRESTRES E ENGENHOS EXPLOSIVOS | RESUMOS REGIONAIS> |
[98] Em muitos casos os doadores não relatam para o ano civil de 2001. Entre os países que referem anos ficais diferentes estão os EU (Outubro 2000-Setembro 2001), Japão (Março 2001-Fev. 2002), Canadá (Abril 2001-Março 2002), RU (Abril 2001- Abril 2002), e Austrália (Jul. 2001-Jun. 2002).
[99] Os valores para os anos anteriores a 2001 foram retirados do Sumário Executivo do Landmine Monitor Report 2001, apesar de que em alguns casos, tenham sido recebidas correcções sobre anos anteriores. Na mairo parte dos casos, mas não todos, os valores para os anos anteriores foram calculados com as taxas de câmbio para esses anos.
[100] Taxa de câmbio de € 1 = US$ .898 utilizado para todos os anos.
[101] CICV, “ICRC Special Report: Mine Action 2001,” Genebra, Julho de 2002, p. 51. Os gastos totais para o Apelo Especial, incluindo as actividades de sensibilização foram de Sfr 23,1 milhões em 2001.
[102] Em 2001, os financiamentos totais recebidos pelos Estados tal como foram referidos em “ICRC Special Report: Mine Action 2001,” Julho de 2002, p. 45, foram de : Austrália ($978.962), Áustria ($200.215), Bélgica ($227.863), Canadá ($195.255), Dinamarca ($250.426), Finlândia ($640.522), Irlanda ($288.846), Itália ($713.755), Países Baixos ($381.319) e Noruega ($1.242.565). Deve-se notar que em algumas circunstâncias as contribuições dos países diferem daqueles referidos pelos países no Landmine Monitor Report 2002. É de notar tb. que apenas 82,4 % das contribuições totais para o Apelo Especial são para a assistência às vítimas com o restante sendo atribuído à sensibilização às minas e às actividades diplomáticas humanitárias. Taxa de câmbio de 31 de Dezembro de 2001, US$1 = Sfr 1.6732.
[103] Em 2001, os financiamentos totais recebidos pelos os Estados tal como foram referidos em “ICRC Special Report: Mine Action 2001,” Julho de 2002, p. 45, foram: Países Baixos ($18.708), Noruega ($1.082.051) e os Estados Unidos da América ($445.236).